De fundamental importância no cultivo

SOLO

                    De fundamental importância no cultivo, o solo precisa ter características físicas especiais que permitam o crescimento saudável nas condições encontradas em um vaso. A saúde da árvore depende das raízes e a saúde das raízes depende do solo. No espaço limitado que o vaso proporciona, essa relação é particularmente importante. É necessário observar que a terra que normalmente consideraríamos fértil, ideal para o cultivo de uma árvore no chão, não é necessariamente adequada para o cultivo em um vaso. No chão a planta encontra um ambiente ideal com relação a umidade, aeração, suprimento de nutrientes e espaço para o crescimento saudável das raízes. No vaso, a mesma terra encontrada no chão se faz inadequada, principalmente devido à sua estrutura física, ou seja, sua granulometria. A terra adequada para o vaso deve ter maximizadas as suas propriedades de drenagem, aeração e fornecimento de nutrientes. Isso pode ser alcançado escolhendo cuidadosamente o tamanho predominante dos grãos que compõem o substrato, tornando-o mais poroso. Como conseqüência, a capacidade de drenagem é aumentada, bem como o volume de ar entre os grãos e aos quais as raízes têm acesso. Ambos os aspectos são fundamentais para o bom desenvolvimento das plantas, pois facilitam a absorção de água e a fixação do nitrogênio presente no ar.

            Assim, observamos que a terra comum, na qual estão usualmente plantadas as mudas encontradas com facilidade em floriculturas e viveiros, é inadequada ao cultivo do bonsai e deve ser totalmente removida o quanto antes, mesmo que de forma gradativa. Se isso não for feito no início do cultivo do bonsai, mais cedo ou mais tarde será necessário fazê-lo, especialmente no caso das coníferas. Se no plantio em vaso for utilizado um solo ideal para bonsai ao redor de um torrão do solo original da muda, mantido por segurança para preservar o enraizamento original, compostos com diferentes características de drenagem e aeração estarão ao alcance das raízes. Isso faz com que a parte do torrão original, menos porosa, fique constantemente encharcada. Em conseqüência, ocorre acidez na área, compactação precoce e desenvolvimento irregular das raízes.

            Existem diversos componentes básicos para o substrato do bonsai, que são combinados em diferentes proporções, buscando um equilíbrio entre porosidade, teor de nutrientes e capacidade de retenção de umidade, que seja adequado para a espécie, considerando seu tamanho e fase de treinamento. Por exemplo, exemplares mais jovens requerem com um substrato mais poroso, enquanto exemplares mais antigos devem ser plantados em um substrato com menor porosidade. Algumas espécies, como os pinheiros, precisam ter um solo com baixa capacidade de retenção de umidade, para evitar o apodrecimento das raízes.

            Cada um dos componentes do substrato é caracterizado a seguir.

Terra: é possível utilizar qualquer tipo de terra, independente da coloração ou aparência física, sendo a ideal aquela que nos proporcione grãos que não se desfazem com facilidade, ou seja, terra que não se compacta mesmo quando molhada. A granulometria ideal varia de 2 a 3 milímetros. Para chegarmos a esta estrutura será necessário o uso de duas peneiras sobrepostas. A primeira é conhecida como "peneira de feijão", possuindo uma malha de 3 a 4 mm. A segunda, que é colocada por baixo, possui malha de 2 mm, e é denominada "peneira de arroz". A parte utilizada é aquela que passa pela primeira peneira e é retida na segunda, sendo que o restante é descartado. A função deste componente é reter líquidos e nutrientes, além de dar sustentação às raízes.

Areia: pode ser qualquer areia grossa, com a mesma granulometria da terra. É utilizado o mesmo processo de peneiras, com a diferença de que o retido na primeira peneira (3 a 4 mm.) poderá ser utilizado como camada de drenagem se colocada no fundo do vaso, e também na composição de substratos para mudas ou plantas na fase inicial de desenvolvimento. A função da areia é promover melhor drenagem e aeração do composto, além de contribuir na sustentação.

Cerâmica triturada: obtida pela moagem de telhas, tijolos e cerâmica em geral, possui a mesma granulometria e processo de seleção da areia, inclusive no que se refere à parte retida na primeira peneira. Esse componente associa em menor grau as funções da terra e da areia, promovendo simultaneamente uma boa drenagem, aeração e retenção de umidade.

Matéria orgânica: este componente tem como função principal fornecer nutrientes, contribuindo também para a retenção de líquidos. Podem ser utilizadas quaisquer fontes de matéria orgânica. Preferimos um substrato composto basicamente por casca de Pinus triturada e esterilizada, acrescida de uma pequena parte de vermiculita Uma vez entendidas as funções de cada um dos componentes, passaremos, sempre com o uso do bom senso, à formulação dos vários tipos de substratos. É muito importante lembrar que em se tratando de um país tropical e com grandes diferenças climáticas de norte a sul, serão necessários ajustes na composição para cada região. Assim, podemos dizer que não existe rigidez na formulação do composto, podendo variar de acordo com o clima, e como citado anteriormente, vaso, espécie, idade, e fase de treinamento. A Tabela 1 apresenta alguns exemplos.

Composição do substrato

Espécie

% Terra
2-3 mm

%
Terra
< 2mm

%
Areia
2-3 mm

%
Areia
3-5 mm

% Cerâmica 2-3 mm

%
Matéria orgânica

%
Vermiculita

Pinus

   

50%

 

50%

   

Pinus (alternativa)

   

75%

     

25%

Juníperos e caducifólias

33%

 

16%

 

16%

33%

 

Juníperos e caducifólias (alternativa 1)

 

50%

 

 

30%

 

 

20%

   

Juníperos e caducifólias (alternativa 2)

 

50%

 

 

50%

       

Juníperos e caducifólias (alternativa 3)

 

50%

 

 

25%

 

 

25%

   

Frutíferas

40%

     

40%

20%

 

Frutíferas (alternativa)

50%

 

30%

   

20%

 

Azaléa

50%

     

25%

25%

 

Romã

 

80%

     

20%

 

Como se pode perceber, a Tabela 1 apresenta exemplos de substratos que apresentam características distintas com relação ao poder de retenção de líquidos, que variam de acordo com as necessidades de cada espécie. A granulométria do solo também poderá variar de acordo com a fase de treinamento: partículas grossas para árvores em inicio de treinamento e partículas finas para árvores formadas.

Está matéria foi cedida pelo ROCK

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