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O
buxinho é uma planta muito adequada para bonsai. É apreciada e empregada por
suas características (folhas pequenas e perene de bela cor, fácil de enraizar,
madeira dura que permite zonas de madeira morta, etc), porém algumas vezes
apresenta problemas e não dá o resultado esperado. Por exemplo: secar ramas
sem saber como nem porquê.
Normalmente
isto é devido à presença de fungos que atacam os tecidos vivos das raízes,
do tronco e dos ramos, penetram facilmente através das feridas produzidas por
acidentes ou pelos cortes que efetuamos durante a poda.
Se
as condições do ambiente são favoráveis ao fungo e/ou o vigor e a vitalidade
da árvore são deficientes, podem desenvolver-se e invadir pouco a pouco os
tecidos vivos, e a velocidade do avanço da infecção depende, evidentemente,
das condições do ambiente e da árvore. Pode ser muito rápida se as condições
forem favoráveis ao ataque dos fungos. Se observa uma infestação rápida em
árvores removidas de zonas montanhosas, de clima relativamente frio, para zonas
mais baixas, de clima quente. Supõe-se que isto ocorra devido à transposição de ambientes
adversos para ambiente favoráveis ao fungo. Eu penso que a adversidade de
ambientes favorece os ataques dos
fungos. Observa-se que exemplares recolhidos saõs e vigorosos, em locais frios,
desenvolvem rapidamente a infecção ao ser transplantados para locais próximo
ao mar.
A
destruição dos tecidos vivos produz uma debilitação somente nas partes
situadas por cima da zona infectada. O resto da árvore está são e vigoroso,
visto que a infecção está muito localizada, progride lentamente, e quando se
manifesta o dano já é irreparável.
Em
ocasiões, inclusive, pode avançar transversalmente, neste caso pode formar um
anel infectado ao redor do tronco. Evidentemente, neste caso toda árvore se
debilitará e acabará morrendo.
Examinando cuidadosamente a cortiça do tronco e das ramas é fácil detectar as zonas infectadas pela diferença da cor e textura que existe entre a cortiça que está sobre o tecido morto e a que está sobre o tecido vivo e a presença de pontos negros na cortiça atacada por fungos.
Como em toda enfermidade, a melhor forma de
evitar e combater está na prevenção. As recomendações para evitar a entrada
de fungos são as seguintes:
1.
Manter a árvore no maior vigor possível e evitar qualquer operação
que a deixe vulnerável, especialmente no trato com os brotos. A menos que a árvore
esteja muito ramificada não se deve pinçar os brotos, preferencialmente deixá-los
crescer para depois cortá-los quando parar de crescer. Nos brotos em
desenvolvimento é que são elaboradas as substâncias que dão vigor e resistência
às árvores. Pinçar os brotos em crescimento equivale a debilitar a árvore.
2.
E imprescindível retirar as folhas velhas tão logo termine a formação,
e o crescimento dos novos brotos. Deixar as folhas velhas depois de formados
novos brotos equivale a debilitar a árvore, e dificultara a circulação de ar
e a ação dos raios solares no seu interior. Não devem coexistir folhas de
duas ou mais brotações. As árvores devem ter folhas somente da última brotação.
3.
Cortar as ramas sempre acima das ramificações vigorosas. Não deixar
nunca uma rama sem folhas. Os fungos invadem rapidamente a cortiça quando deixa
de circular a seiva. Portanto não se deve deixar zonas sem circulação de
seiva.
4.
Deixar as feridas protegidas e limpas. Se a árvore tem vigor, cicatriza
facilmente. Porém se a árvore estiver debilitada será necessário protegê-la
com a pasta cicatrizante. Nunca utilizar produtos químicos nem produtos
agressivos para cobrir as feridas.
5.
No momento de transplantar, tem que cortar e suprimir todas as raízes
finas que ficarem descobertas, sobressaindo-se do plano da terra (substrato) Se
não agir assim a putrefação subseqüente destas raízes pode ser fatal para a
árvore. O corte das raízes grossas tem que ser limpo e bem definido com o
tecido vivo ao seu redor e não proteja com pastas agressivas. As raízes que
nascem ao redor do corte são a melhor proteção que pode ter.
6.
Utilizar um substrato com uma elevada capacidade de drenagem, sem pó,
nem turfa, nem terra vegetal, etc. A elevada atividade das raízes do buxinho
promove uma rápida acidificação, se não existir uma boa drenagem e uma boa
ventilação no substrato. Isto cria condições favoráveis para o
desenvolvimento de fungos e subseqüente apodrecimento das raízes
7.
Manter a cortiça limpa, lavar com água e uma escova de dente.
Para
combater a infecção e evitar que ela se estenda, temos que tomar certas
medidas curativas, logo que a localize:
1.
Tem que remover e queimar a cortiça dos tecidos mortos da região
afetada. Deixar a madeira limpa, sem nenhum resto do tecido morto ou infectado.
Separar bem a zona infectada da não-infectada.
2.
Percorrer toda a linha de contato entre as duas zonas, deixando
descoberto o tecido vivo (de cor verde e branca) e eliminando o resto do tecido
infectado (reconhecido porque é de cor mais ou menos marrom) , que se possa
encontrar debaixo dos tecidos vivos não-infectados.
3.
Se as árvores estão em boas condições de vigor e vitalidade não é
necessário proteger os tecidos vivos, visto que podem cicatrizar fácil e
rapidamente de maneira natural, o que é preferível sempre que seja possível.
Porém se a árvore estiver debilitada e/ou as feridas são muito grandes pode
ser conveniente proteger com pasta cicatrizante (não utilizar pastas agressivas
nem produtos químicos). Uma cicatriz normal formada pela própria árvore é a
melhor proteção.
O
buxinho (Buxus Sempervirens) é uma árvore muito adequada para bonsai, basta
cuidar devidamente. Este artigo é destinado a um de seus piores inimigos,
quando se cultiva um buxinho em ambientes favoráveis para o desenvolvimento do
fungo.
As
medidas preventivas são imprescindíveis: é preciso que o buxinho se
desenvolva com o máximo vigor possível mediante o emprego de um substrato de
cultivo adequado, bem drenado, adubação abundante e um trabalho correto na
renovação de brotos e folhas, e na poda das raízes no momento do transplante.
No
entanto, apesar de todas estas precauções é possível que se apresente a
infecção.
Neste caso tem que localizá-la tão logo seja possível e eliminar mecanicamente todos os tecidos afetados. Fazendo assim poderemos desfrutar de um bonsai de buxinho durante muitos anos.
Esta dica foi retirada da revista BONSAI PASIÓN Nº 1