JOAN GARRIGA I PUJOL          O buxinho é uma planta muito adequada para bonsai

                   BUXINHO ATACADO POR FUNGOS

por JOAN GARRIGA I PUJOL


        O buxinho é uma planta muito adequada para bonsai. É apreciada e empregada por suas características (folhas pequenas e perene de bela cor, fácil de enraizar, madeira dura que permite zonas de madeira morta, etc), porém algumas vezes apresenta problemas e não dá o resultado esperado. Por exemplo: secar ramas sem saber como nem porquê.

Normalmente isto é devido à presença de fungos que atacam os tecidos vivos das raízes, do tronco e dos ramos, penetram facilmente através das feridas produzidas por acidentes ou pelos cortes que efetuamos durante a poda.

Se as condições do ambiente são favoráveis ao fungo e/ou o vigor e a vitalidade da árvore são deficientes, podem desenvolver-se e invadir pouco a pouco os tecidos vivos, e a velocidade do avanço da infecção depende, evidentemente, das condições do ambiente e da árvore. Pode ser muito rápida se as condições forem favoráveis ao ataque dos fungos. Se observa uma infestação rápida em árvores removidas de zonas montanhosas, de clima relativamente frio, para zonas mais baixas, de clima quente. Supõe-se   que isto ocorra devido à transposição de ambientes adversos para ambiente favoráveis ao fungo. Eu penso que a adversidade de ambientes  favorece os ataques dos fungos. Observa-se que exemplares recolhidos saõs e vigorosos, em locais frios, desenvolvem rapidamente a infecção ao ser transplantados para locais próximo ao mar.

A destruição dos tecidos vivos produz uma debilitação somente nas partes situadas por cima da zona infectada. O resto da árvore está são e vigoroso, visto que a infecção está muito localizada, progride lentamente, e quando se manifesta o dano já é irreparável.

Em ocasiões, inclusive, pode avançar transversalmente, neste caso pode formar um anel infectado ao redor do tronco. Evidentemente, neste caso toda árvore se debilitará e acabará morrendo.

Examinando cuidadosamente a cortiça do tronco e das ramas é fácil detectar as zonas infectadas pela diferença da cor e textura que existe entre a cortiça que está sobre o tecido morto e a que está sobre o tecido vivo e a presença de pontos negros na cortiça atacada por fungos.

MEDIDAS PREVENTIVAS

Como em toda enfermidade, a melhor forma de evitar e combater está na prevenção. As recomendações para evitar a entrada de fungos são as seguintes:

 1.    Manter a árvore no maior vigor possível e evitar qualquer operação que a deixe vulnerável, especialmente no trato com os brotos. A menos que a árvore esteja muito ramificada não se deve pinçar os brotos, preferencialmente deixá-los crescer para depois cortá-los quando parar de crescer. Nos brotos em desenvolvimento é que são elaboradas as substâncias que dão vigor e resistência às árvores. Pinçar os brotos em crescimento equivale a debilitar a árvore.

     2.    E imprescindível retirar as folhas velhas tão logo termine a formação, e o crescimento dos novos brotos. Deixar as folhas velhas depois de formados novos brotos equivale a debilitar a árvore, e dificultara a circulação de ar e a ação dos raios solares no seu interior. Não devem coexistir folhas de duas ou mais brotações. As árvores devem ter folhas somente da última brotação.

     3.    Cortar as ramas sempre acima das ramificações vigorosas. Não deixar nunca uma rama sem folhas. Os fungos invadem rapidamente a cortiça quando deixa de circular a seiva. Portanto não se deve deixar zonas sem circulação de seiva.

     4.    Deixar as feridas protegidas e limpas. Se a árvore tem vigor, cicatriza facilmente. Porém se a árvore estiver debilitada será necessário protegê-la com a pasta cicatrizante. Nunca utilizar produtos químicos nem produtos agressivos para cobrir as feridas.

     5.    No momento de transplantar, tem que cortar e suprimir todas as raízes finas que ficarem descobertas, sobressaindo-se do plano da terra (substrato) Se não agir assim a putrefação subseqüente destas raízes pode ser fatal para a árvore. O corte das raízes grossas tem que ser limpo e bem definido com o tecido vivo ao seu redor e não proteja com pastas agressivas. As raízes que nascem ao redor do corte são a melhor proteção que pode ter.

     6.    Utilizar um substrato com uma elevada capacidade de drenagem, sem pó, nem turfa, nem terra vegetal, etc. A elevada atividade das raízes do buxinho promove uma rápida acidificação, se não existir uma boa drenagem e uma boa ventilação no substrato. Isto cria condições favoráveis para o desenvolvimento de fungos e subseqüente apodrecimento das raízes

     7.    Manter a cortiça limpa, lavar com água e uma escova de dente.

  MEDIDAS CURATIVAS

Para combater a infecção e evitar que ela se estenda, temos que tomar certas medidas curativas, logo que a localize: 

  
1.    Tem que remover e queimar a cortiça dos tecidos mortos da região afetada. Deixar a madeira limpa, sem nenhum resto do tecido morto ou infectado. Separar bem a zona infectada da não-infectada.

     2.    Percorrer toda a linha de contato entre as duas zonas, deixando descoberto o tecido vivo (de cor verde e branca) e eliminando o resto do tecido infectado (reconhecido porque é de cor mais ou menos marrom) , que se possa encontrar debaixo dos tecidos vivos não-infectados.

 3.    Se as árvores estão em boas condições de vigor e vitalidade não é necessário proteger os tecidos vivos, visto que podem cicatrizar fácil e rapidamente de maneira natural, o que é preferível sempre que seja possível. Porém se a árvore estiver debilitada e/ou as feridas são muito grandes pode ser conveniente proteger com pasta cicatrizante (não utilizar pastas agressivas nem produtos químicos). Uma cicatriz normal formada pela própria árvore é a melhor proteção.

 CONCLUSÃO

    O buxinho (Buxus Sempervirens) é uma árvore muito adequada para bonsai, basta cuidar devidamente. Este artigo é destinado a um de seus piores inimigos, quando se cultiva um buxinho em ambientes favoráveis para o desenvolvimento do fungo.

As medidas preventivas são imprescindíveis: é preciso que o buxinho se desenvolva com o máximo vigor possível mediante o emprego de um substrato de cultivo adequado, bem drenado, adubação abundante e um trabalho correto na renovação de brotos e folhas, e na poda das raízes no momento do transplante.

No entanto, apesar de todas estas precauções é possível que se apresente a infecção.

Neste caso tem que localizá-la tão logo seja possível e eliminar mecanicamente todos os tecidos afetados. Fazendo assim poderemos desfrutar de um bonsai de buxinho durante muitos anos.

Esta dica foi retirada da revista BONSAI PASIÓN Nº 1

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